Exposição e Roda de Conversa sobre Mulheres com Hanseníase no Piauí
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Exposição e Roda de Conversa sobre Mulheres com Hanseníase no Piauí

O Museu do Piauí recebe, durante o mês de janeiro, a exposição “Vozes – contra o estigma, preconceito e outras violências que acometem mulheres com hanseníase”, acompanhada de uma roda de conversa que busca sensibilizar a sociedade para os desafios enfrentados por essas mulheres. A atividade faz parte da programação da campanha Janeiro Roxo, voltada para conscientização sobre a hanseníase, e é apoiada pelo Centro de Inteligência em Agravos Tropicais Emergentes e Negligenciados (CIATEN).

A exposição foi idealizada a partir de uma pesquisa qualitativa em saúde, que investigou as vivências de mulheres atingidas pela hanseníase no estado do Piauí. Elas enfrentam não só os desafios do tratamento da doença, mas também o estigma social e institucional, com consequências psicológicas e sociais devastadoras.

Dividida em quatro salas, a mostra utiliza a arte como uma poderosa ferramenta de sensibilização e mobilização social:

Sala 1 – Eldenira Rodrigues

Nesta sala, são apresentados desenhos feitos por mulheres que convivem com a hanseníase. As obras refletem suas dores, superações e a busca por dignidade em meio ao estigma. A exposição também dá voz a essas mulheres, evidenciando sua resistência e capacidade de transformação.

Sala 2 – Caminhos de Transformação

Aqui, desenhos produzidos por pesquisadores, docentes e profissionais da saúde exploram as barreiras enfrentadas por essas mulheres e a importância da construção de uma sociedade mais empática. A produção evidencia a urgência de quebrar estigmas e promover a inclusão.

Sala 3 – Entrelaçadas: da vulnerabilidade à força

Nesta seção, as obras criadas pela discente Maria Rita Amorim Braga abordam a interseção entre a hanseníase e a violência contra a mulher. O impacto físico e emocional dessa dupla exclusão é representado por meio de bordados e pinturas, que retratam as histórias compartilhadas durante a pesquisa.

Sala 4 – Quebrando o silêncio

Pinturas do pesquisador e docente Fábio Solon refletem sobre as realidades invisibilizadas dessas mulheres. A exposição busca provocar o público a enfrentar preconceitos e a construir uma sociedade mais justa e solidária.

Roda de Conversa 

Na abertura, marcada para o dia 17 de janeiro, uma roda de conversa reunirá representantes de instituições ligadas ao tema. O objetivo é aprofundar o debate sobre as práticas de cuidado e políticas públicas necessárias para enfrentar o estigma e a violência sofrida por essas mulheres.

A hanseníase, apesar de curável, ainda é cercada por preconceitos que afetam a autoestima e a inclusão social de seus portadores. No Piauí, que apresenta altas taxas da doença e de violência contra a mulher, essa realidade exige atenção especial. Segundo dados do IBGE, 6,6% das mulheres adultas no estado relataram agressões físicas em 2023, enquanto 384 casos de hanseníase foram registrados entre mulheres no ano anterior. Essa interseção demanda esforços para criar redes de apoio integradas, que considerem tanto os aspectos clínicos quanto os impactos psicossociais.

Local: Museu do Piauí  

Exposição: 7 a 30 de janeiro  

Roda de conversa: 17 de janeiro  

Entrada: Gratuita  

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